Nem sempre o tão esperado positivo vem no tempo que foi planejado. E quando a gravidez não acontece nos primeiros meses de tentativas, o foco costuma recair sobre a mulher, não é mesmo? Mas aumentar a família é uma jornada compartilhada.

O que pouca gente sabe é que a infertilidade masculina está presente em cerca de 40% dos casos, é mais comum do que se imagina e precisa ser investigado com atenção.

Por isso, mais do que buscar um diagnóstico, cuidar da saúde reprodutiva masculina é um ato de responsabilidade e afeto. Neste post, vamos comentar as principais causas, exames indicados e tratamentos disponíveis. Acompanhe!

Navegue para saber mais sobre infertilidade masculina:

O que é infertilidade masculina?

A infertilidade masculina é a dificuldade do homem em contribuir para a concepção do bebê, mesmo após um ano de tentativas regulares e sem o uso de métodos contraceptivos.

Essa condição pode ter diferentes causas, desde alterações na produção e qualidade dos espermatozoides até problemas no sistema reprodutor masculino que impedem o encontro entre espermatozoide e óvulo.

É importante entender que a infertilidade não significa ausência total de espermatozoides, mas sim que algo está interferindo na capacidade de gerar uma gravidez. E, em muitos casos, com diagnóstico e tratamento adequados, essa condição pode ser revertida ou contornada.

Quais são as principais causas da infertilidade masculina?

A fertilidade envolve diversos processos que precisam estar funcionando bem para que a gravidez aconteça. Quando algum desses aspectos apresenta alteração, a chance de engravidar pode diminuir. 

Além disso, a infertilidade muitas vezes é resultado da combinação de diferentes fatores, e não apenas de uma causa isolada. Conhecer essas causas é fundamental para entender melhor o diagnóstico e os caminhos do tratamento.

O espermatozoide precisa estar em quantidade suficiente, com boa forma e motilidade para alcançar o óvulo e fecundá-lo. Alterações nesses aspectos, como baixa contagem , ausência de espermatozoides no sêmen, ou mudanças no formato e no movimento, comprometem diretamente a fertilidade. 

Essas condições podem ser causadas por problemas genéticos, desequilíbrios hormonais ou até exposição a fatores ambientais que prejudicam a produção.

Essa condição consiste na dilatação das veias que drenam o testículo, causando aumento da temperatura local. Esse calor extra pode interferir na produção saudável dos espermatozoides. A varicocele nem sempre provoca sintomas, mas costuma ser detectada durante exames e pode ser corrigida por cirurgia.

Inflamações na próstata (prostatite) ou nos testículos (orchite) podem alterar a composição do sêmen e comprometer a produção de espermatozoides. Muitas vezes silenciosas, essas infecções precisam ser tratadas para evitar danos maiores à função reprodutiva.

Hormônios como a testosterona têm papel fundamental na produção e maturação dos espermatozoides. Desequilíbrios hormonais diminuem a qualidade do sêmen e são identificados através de exames laboratoriais específicos, que ajudam a planejar o tratamento.

Hábitos como consumo excessivo de álcool, tabagismo, uso de drogas, obesidade, exposição a toxinas ambientais e até o estresse e a falta de exercícios físicos têm impacto direto na fertilidade. Pequenas mudanças no dia a dia fazem grande diferença na qualidade espermática.

Alterações genéticas específicas, como microdeleções cromossômicas, podem afetar a produção dos espermatozoides. Além disso, problemas anatômicos, como obstruções nos dutos que transportam o esperma, impedem que ele seja liberado normalmente durante a ejaculação.

Quais exames são indicados para investigar a infertilidade masculina?

Depois do período de um ano de tentativas regulares e sem utilização de contraceptivos, é importante realizar uma avaliação completa com um médico especialista, que geralmente inclui:

    • Espermograma: o exame mais importante na avaliação da fertilidade masculina. Analisa a quantidade, a movimentação, a forma e a concentração dos espermatozoides no sêmen. Os resultados ajudam a identificar se há alguma alteração que possa dificultar a concepção natural;
    • Exames hormonais: são solicitados para avaliar os níveis de hormônios essenciais, como a testosterona, o hormônio luteinizante (LH) e o folículo-estimulante (FSH). Eles regulam a produção e maturação dos espermatozoides, e seus desequilíbrios podem indicar problemas na função testicular ou em outras glândulas do corpo;
    • Ultrassonografia testicular: esse exame de imagem permite avaliar a estrutura dos testículos e identificar condições como varicocele, tumores ou outras alterações que podem afetar a produção e o transporte dos espermatozoides;
    • Exames complementares: dependendo do caso, podem ser necessários exames mais específicos, como testes genéticos para identificar alterações cromossômicas, biópsias testiculares para investigar casos de ausência total de espermatozoides, ou exames para detectar infecções que comprometam a saúde reprodutiva.

Quais são os tratamentos disponíveis para a infertilidade masculina?

Saber que há um diagnóstico é o primeiro passo para abrir caminhos que tornam possível realizar o sonho de aumentar a família. O tratamento da infertilidade masculina varia de acordo com a causa identificada, e o importante é lembrar que cada caso é único. Por isso, o acompanhamento personalizado faz toda a diferença.

Para muitos homens, a fertilidade pode ser impactada por hábitos cotidianos. Por isso, o primeiro passo costuma ser uma reavaliação do estilo de vida, que inclui:

    • Abandono do tabagismo: o cigarro prejudica diretamente a qualidade e a quantidade dos espermatozoides, além de afetar a circulação e os níveis hormonais;
    • Redução do consumo de álcool: o álcool em excesso interfere na produção hormonal e na qualidade do sêmen;
    • Alimentação equilibrada: uma dieta rica em nutrientes, vitaminas e antioxidantes ajuda a proteger as células reprodutivas e a melhorar a saúde geral;
    • Prática regular de exercícios físicos: ajuda a controlar o peso e os níveis hormonais, favorecendo a produção saudável dos espermatozoides;
    • Evitar exposição a toxinas: substâncias químicas, pesticidas, metais pesados e até o calor excessivo (como o uso frequente de saunas ou laptops no colo) podem afetar a produção espermática;
    • Controle do estresse: o estresse elevado interfere negativamente na produção hormonal.

Saiba mais em: Como o excesso de peso pode afetar sua saúde reprodutiva?

Algumas condições, como a varicocele, podem ser corrigidas com cirurgia, melhorando o fluxo sanguíneo e a temperatura dos testículos, o que costuma refletir em um aumento na produção e qualidade dos espermatozoides.

Os hormônios são fundamentais para o funcionamento do sistema reprodutor masculino. Quando há desequilíbrios, o tratamento hormonal é indicado para:

    • Estimular a produção e maturação dos espermatozoides;
    • Regularizar a função testicular;
    • Corrigir deficiências hormonais que impactam a libido e a qualidade do sêmen.

Os hormônios mais avaliados incluem a testosterona, hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo-estimulante (FSH). A terapia hormonal deve ser cuidadosamente acompanhada, pois a dosagem precisa ser adequada a cada caso.

Quando o tratamento clínico ou cirúrgico não é suficiente, as técnicas de reprodução assistida são recursos poderosos para ajudar os casais a realizarem o sonho da gestação. Entre elas:

    • Inseminação intrauterina (IIU): nesta técnica, o sêmen é coletado, preparado em laboratório para selecionar os espermatozoides mais saudáveis, e introduzido diretamente no útero da parceira no momento da ovulação. A IIU é indicada para casos de alterações na qualidade do sêmen, problemas no muco cervical ou infertilidade sem causa aparente;
    • Fertilização in vitro (FIV): os óvulos da mulher são coletados e fertilizados em laboratório com os espermatozoides do parceiro ou doador. Após a fertilização, os embriões são cultivados e, em seguida, transferidos para o útero da mulher. A FIV é indicada para casos mais complexos, como obstruções tubárias, baixa quantidade ou qualidade espermática, ou falhas em tratamentos anteriores, por exemplo;
    • ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide): uma técnica utilizada dentro da FIV, onde um único espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo. É especialmente indicada para homens com baixa motilidade, baixa concentração ou espermatozoides de qualidade inferior, permitindo que mesmo com poucos espermatozoides viáveis a fertilização possa ocorrer.

Essas técnicas têm evoluído muito e apresentam altas taxas de sucesso quando indicadas adequadamente, sempre acompanhadas por equipes especializadas.

Leia também: Fertilização in vitro x Inseminação artificial: existem diferenças entre os procedimentos?

Além do tratamento médico, o suporte psicológico é fundamental para ajudar a lidar com o impacto emocional que a infertilidade pode trazer.

Um cuidado integral inclui suporte psicológico para lidar com ansiedade, frustrações e expectativas, orientação nutricional para otimizar a saúde geral e acompanhamento médico contínuo para ajustes no tratamento e acompanhamento dos resultados.

Como é feito o diagnóstico da infertilidade masculina?

O primeiro passo para cuidar da fertilidade é entender o que está acontecendo. O diagnóstico reúne avaliação clínica, exame físico e exames complementares que ajudam a identificar possíveis causas e orientar o tratamento com mais precisão.

Nesta etapa, o médico escuta o paciente com atenção, buscando entender o tempo de tentativas, hábitos de vida, histórico de saúde, uso de medicamentos, cirurgias prévias e possíveis sinais que possam indicar alterações na fertilidade. É o momento de compreender o contexto e solicitar os exames que precisarão ser realizados.

É importante também realizar um exame físico que avalia os testículos, epidídimos e canais deferentes. O objetivo é identificar alterações anatômicas, presença de varicocele (veias dilatadas nos testículos) e outras condições que podem interferir na produção e transporte dos espermatozoides.

Também são solicitados exames complementares, como o espermograma, exames hormonais, ultrassonografia testicular e, se necessário, testes genéticos. Eles ajudam a entender melhor o quadro clínico do paciente e a definir quais caminhos são mais indicados para o tratamento.

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Falar sobre infertilidade masculina é falar sobre cuidado, saúde e possibilidades. Com avaliação adequada, acompanhamento profissional e um plano personalizado, muitos caminhos podem se abrir para quem deseja construir uma família.

Na InVentre, cada etapa é conduzida com responsabilidade, escuta e respeito ao momento de cada paciente. Se você está vivendo essa fase de espera pelo tão sonhado positivo, saiba que não está sozinho. Estamos aqui para caminhar ao seu lado em cada passo da jornada.

Infertilidade masculina tem cura?

Depende da causa. Em muitos casos, é possível reverter a condição com mudanças no estilo de vida, tratamentos medicamentosos, hormonais ou cirúrgicos. Além disso, os tratamentos de reprodução assistida oferecem alternativas eficazes.

É verdade que o estresse pode afetar a fertilidade?

Sim. O estresse crônico pode interferir na produção hormonal e afetar a qualidade do sêmen. Por isso, cuidar da saúde emocional também é parte importante do tratamento.

Todo homem com varicocele será infértil?

Não. A varicocele pode afetar a fertilidade em alguns casos, mas nem todos os homens com essa condição terão dificuldade para ter filhos. A avaliação médica é fundamental para indicar a necessidade de tratamento.

Ter espermograma alterado significa infertilidade definitiva?

Não necessariamente. Um espermograma alterado é um sinal de que algo precisa ser investigado com mais atenção. Em muitos casos, os resultados podem melhorar com tratamento ou ajustes no estilo de vida.

Como é feita a investigação da infertilidade masculina?

A investigação começa com uma escuta atenta por parte do especialista, levando em conta o histórico do paciente, hábitos de vida e tempo de tentativas. 

Em seguida, são realizados exames como o espermograma, avaliações hormonais, exame físico e, quando necessário, exames genéticos ou de imagem. Tudo é feito com cuidado, buscando compreender o que pode estar impactando a fertilidade e indicar os melhores caminhos.

Recebi um diagnóstico de infertilidade. E agora?

Receber esse diagnóstico pode ser um momento desafiador, mas também é o primeiro passo para realizar o sonho de aumentar a família. Com o apoio de uma equipe