O Novembro Azul é um mês de conscientização sobre a saúde do homem. Tradicionalmente existe uma campanha focada na prevenção do câncer de próstata, mas o momento também é ideal para discutir outro tema fundamental: a fertilidade masculina e o impacto do uso indiscriminado de anabolizantes e testosterona.

Cada vez mais homens, especialmente jovens, recorrem aos anabolizantes ou terapias hormonais não supervisionadas em busca de ganhos rápidos de massa muscular, melhora da estética corporal e desempenho físico. No entanto, o uso inadequado dessas substâncias pode trazer consequências sérias e, muitas vezes, irreversíveis para a fertilidade.

Como os anabolizantes agem no corpo dos homens?

Hoje, muitos homens fazem uso de anabolizantes de maneira indiscriminada e indevida, sem pensar nas consequências para sua fertilidade.

Os anabolizantes são substâncias sintéticas derivadas da testosterona, o principal hormônio masculino. Quando utilizados sem prescrição médica, eles alteram o equilíbrio natural do organismo.

O corpo funciona em um delicado sistema de controle: o cérebro monitora os níveis de testosterona e, quando percebe que há excesso, seja por produção natural ou uso externo, ele reduz a liberação dos hormônios LH e FSH, responsáveis por estimular os testículos a produzirem testosterona e espermatozoides.

Como consequência, os testículos diminuem de tamanho (atrofia testicular) e a produção de espermatozoides cai drasticamente, podendo levar à azoospermia, condição em que o sêmen não contém espermatozoides. Esse quadro, na prática, causa infertilidade masculina.

Os riscos do uso indiscriminado de testosterona

Mesmo a testosterona utilizada em tratamentos médicos, quando mal administrada, pode ter impacto sobre a fertilidade.

O problema está em fazer uso sem acompanhamento de um profissional especializado

Entre os efeitos adversos do uso indevido de testosterona e anabolizantes estão:

  • Redução da produção de espermatozoides e infertilidade;
  • Diminuição do volume testicular;
  • Alterações de humor, irritabilidade e agressividade;
  • Queda de libido após o uso prolongado;
  • Risco aumentado de doenças cardiovasculares;
  • Ginecomastia (crescimento das mamas);
  • Acne e oleosidade excessiva na pele;
  • Dificuldade em recuperar a fertilidade mesmo após a suspensão do uso.

É importante entender que a testosterona sintética não é sinônimo de saúde. Quando usada sem critério, ela desorganiza o eixo hormonal e pode comprometer de forma grave a capacidade reprodutiva.

A reversão é possível, mas nem sempre garantida

Após interromper o uso de anabolizantes ou testosterona, a produção natural de espermatozoides pode voltar ao normal, mas o tempo e o grau de recuperação variam muito de pessoa para pessoa. 

Homens que fizeram uso por longos períodos ou em altas doses podem ter dificuldade em recuperar a função testicular plena, mesmo com acompanhamento médico e tratamento com indutores hormonais.

A recuperação da produção normal de espermatozoides após o uso indiscriminado de testosterona varia muito de pessoa para pessoa, mas podemos entender de forma geral assim:

Tempo médio de recuperação

Após interromper o uso, o organismo precisa retomar o funcionamento do eixo hormonal hipotálamo-hipófise-gonadal, ou seja, o sistema que controla a produção natural de testosterona e espermatozoides.

  • Na maioria dos casos leves (uso por poucos meses): a recuperação pode ocorrer entre 3 a 6 meses.
  • Em casos moderados (uso prolongado ou em doses altas): pode levar de 6 meses a 1 ano para que o espermograma volte ao normal.
  • Nos casos graves (uso prolongado por anos ou em combinação com vários esteroides): pode demorar mais de 12 meses, e, em alguns homens, a produção espermática não se normaliza completamente, mesmo após esse tempo.

O acompanhamento com um andrologista ou especialista em reprodução humana é fundamental para avaliar os níveis hormonais, a qualidade seminal e indicar os exames adequados, como o espermograma e dosagens hormonais.

Preservação da fertilidade masculina: o papel do congelamento de sêmen

Durante o Novembro Azul, além de conscientizar sobre o câncer de próstata, é essencial reforçar a importância da preservação da fertilidade masculina.

O congelamento de sêmen é uma alternativa moderna e segura para homens que desejam manter a possibilidade de ter filhos no futuro.

Essa opção é especialmente recomendada para:

  • Homens que pretendem iniciar terapias hormonais com testosterona;
  • Pacientes oncológicos que farão quimioterapia ou radioterapia;
  • Homens submetidos a cirurgias urológicas;
  • Aqueles que desejam adiar a paternidade por motivos pessoais ou profissionais.

O processo é simples e realizado em clínicas como a InVentre, que oferece armazenamento de sêmen em condições controladas e acompanhamento personalizado. Assim, o homem pode preservar sua fertilidade de maneira segura, planejando sua paternidade de forma consciente e saudável.

Os anabolizantes e a testosterona, quando utilizados de forma incorreta, podem comprometer a saúde reprodutiva masculina.

Neste Novembro Azul, aproveite para realizar exames preventivos, conversar com seu médico sobre fertilidade e considerar a preservação do sêmen como parte do seu cuidado com o futuro.

Na InVentre, a equipe está preparada para oferecer suporte completo em preservação da fertilidade masculina, com sigilo, segurança e atenção individualizada.

Dúvidas frequentes sobre sobre anabolizantes e fertilidade masculina:

Quem usou anabolizantes pode voltar a ser fértil?

Em alguns casos, sim. A recuperação depende do tempo e da intensidade do uso, e deve ser acompanhada por um especialista em reprodução humana.

A reposição de testosterona com acompanhamento médico também afeta a fertilidade?

Pode afetar, mas quando o tratamento é feito de forma controlada e com monitoramento, o médico pode ajustar as doses e indicar estratégias para preservar a função testicular.

Vale a pena congelar o sêmen antes de iniciar o uso de testosterona?

Sim. O congelamento de sêmen é uma forma simples e eficaz de garantir a possibilidade de ter filhos no futuro, mesmo que ocorram alterações na produção espermática durante o uso de hormônios.