Você já se perguntou por que, mesmo tentando há meses ou anos, a gravidez não acontece? Para muitas mulheres, a resposta pode estar em uma condição silenciosa e frequentemente subestimada: a endometriose.
Caracterizada pelo crescimento anormal do tecido semelhante ao endométrio fora do útero, o distúrbio pode afetar diretamente a fertilidade em alguns casos e dificultar a gestação.
Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), entre 20% e 50% das mulheres com endometriose enfrentam dificuldades para engravidar, tornando a condição uma das principais causas de infertilidade feminina.
A endometriose afeta 1 em cada 10 mulheres e muitas vezes passa despercebida.
O problema é que, por ter evolução lenta e sintomas variados, muitas mulheres passam muito tempo sem um diagnóstico preciso, chegando a conviver anos com a doença. Quando finalmente descobrem a endometriose, os impactos na saúde emocional e reprodutiva já podem ser significativos.
Por isso, vamos abordar o que é a endometriose, como ela interfere na fertilidade e quais são as opções de tratamento para quem deseja engravidar. Com a informação certa e o acompanhamento especializado, é possível encontrar o melhor caminho para realizar o sonho da maternidade. Acompanhe!
Navegue para saber mais sobre endometriose e infertilidade:
O que é endometriose?
A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento do tecido semelhante ao endométrio fora do útero. Ele pode se fixar em órgãos como os ovários, trompas de Falópio, intestino e bexiga, respondendo às variações hormonais do ciclo menstrual da mesma forma que o endométrio dentro do útero.
Isso significa que, a cada menstruação, essas células também sangram, mas sem um meio adequado para serem eliminadas, o que pode gerar inflamação, aderências e até cicatrizes na região.
O diagnóstico da doença ainda é um desafio, pois os sintomas podem variar e serem confundidos com cólicas menstruais, em alguns casos.
Para ampliar o conhecimento sobre a doença e incentivar o diagnóstico precoce, foi criado o Março Amarelo, campanha que alerta seus impactos na saúde da mulher. Sociedades médicas e instituições de saúde promovem ações nesse período para conscientizar e orientar mulheres que podem estar convivendo com a doença sem saber.
Dessa maneira, a endometriose pode se manifestar de diferentes formas e intensidades, sendo classificada em três tipos principais:
- Superficial: caracterizada por pequenos implantes de tecido endometrial na camada mais externa do peritônio, a membrana que reveste os órgãos da cavidade abdominal;
- Ovariana: quando a doença forma cistos nos ovários, chamados de endometriomas, que podem afetar a reserva ovariana e comprometer a qualidade dos óvulos;
- Profunda: a forma mais severa da doença, em que os implantes de tecido endometrial invadem camadas mais profundas de órgãos como intestino, bexiga e ligamentos pélvicos, podendo causar dores intensas e impacto significativo na fertilidade.
Embora o distúrbio pode começar a se desenvolver logo após a primeira menstruação, muitas mulheres só descobrem a doença anos depois, principalmente quando começam a investigar dificuldades para engravidar. O diagnóstico precoce é fundamental para minimizar os impactos na saúde reprodutiva e na qualidade de vida.
6 principais sintomas da endometriose
Os sintomas podem variar de mulher para mulher, dependendo da localização e da gravidade da doença. Enquanto algumas pacientes apresentam dores intensas, outras são assintomáticas, ou seja, não apresentam sintomas evidentes, o que dificulta o diagnóstico precoce.
- Cólica menstrual intensa: diferente das cólicas normais, a dor da endometriose tende a ser progressiva, piorando ao longo do tempo e muitas vezes não melhora com analgésicos comuns;
- Dor pélvica crônica: desconforto persistente na região do baixo ventre, que pode ocorrer fora do período menstrual e piorar com atividades como exercícios físicos ou relações sexuais;
- Dor durante ou após a relação sexual (dispareunia): a penetração pode causar incômodo ou dor intensa, principalmente quando o distúrbio compromete ligamentos pélvicos ou a parede vaginal;
- Alterações intestinais e urinárias: mulheres com casos mais graves da doença podem sentir dor ao evacuar, diarreia, constipação ou desconforto ao urinar, principalmente durante a menstruação;
- Sangramento irregular: além do fluxo menstrual intenso, ela pode causar pequenos sangramentos fora do período menstrual;
- Dificuldade para engravidar: é uma das principais causas de infertilidade feminina. A inflamação e as aderências podem afetar a ovulação, comprometer a mobilidade das trompas e dificultar a fixação do embrião no útero.
É importante lembrar que a intensidade dos sintomas não está necessariamente relacionada à gravidade da doença. Algumas mulheres com lesões extensas podem ter poucos sintomas, enquanto outras com casos leves podem sentir dores muito fortes, por exemplo.
Endometriose e infertilidade: qual a relação?
A endometriose é uma das principais causas de infertilidade feminina, afetando até 50% das mulheres com a condição. Mas por que essa doença pode dificultar tanto a gravidez?
Inflamação e um ambiente hostil para a fecundação
A presença de tecido endometrial fora do útero desencadeia uma resposta inflamatória crônica na região pélvica, resultando na liberação de substâncias que podem comprometer o processo de fertilização.
Essa inflamação pode afetar diretamente a qualidade dos óvulos, tornando-os menos viáveis para a fecundação, além de dificultar a sobrevivência e a mobilidade dos espermatozoides, reduzindo as chances de encontro entre as células reprodutivas.
Comprometimento da ovulação e da reserva ovariana
O distúrbio pode afetar o funcionamento dos ovários, interferindo na ovulação e reduzindo a reserva ovariana, que representa a quantidade de óvulos disponíveis para fecundação ao longo da vida reprodutiva da mulher.
Em alguns casos, a presença de endometriomas (cistos de endometriose nos ovários), impactam ainda mais a qualidade dos óvulos, diminuindo suas chances de desenvolvimento saudável. Além disso, a doença pode causar alterações hormonais que afetam o ciclo menstrual e dificultam a liberação do óvulo no momento adequado, comprometendo a fertilidade.
Aderências e obstrução das trompas de Falópio
Nos casos mais avançados, podem se formar aderências, que são tecidos cicatriciais responsáveis por conectar órgãos na região pélvica de forma anormal. Essas aderências podem obstruir as trompas de Falópio, impedindo que o óvulo encontre o espermatozoide e dificultando a fecundação.
Mesmo quando não há obstrução completa, a mobilidade das trompas pode ser prejudicada, comprometendo o transporte do embrião até o útero. Esse processo também aumenta o risco de gravidez ectópica, condição que o embrião se fixa na trompa em vez do útero, tornando a gestação inviável e exigindo intervenção médica.
Dificuldade na implantação do embrião
Mesmo quando ocorre a fecundação, a endometriose pode afetar a capacidade do embrião de se fixar no útero e dar início à gestação. O ambiente inflamatório gerado pela doença pode comprometer a receptividade do endométrio, dificultando a fixação do embrião e aumentando o risco de falhas na implantação.
Além disso, as alterações hormonais podem impedir que o útero se prepare adequadamente para receber o embrião, tornando a gestação menos viável. Essas dificuldades elevam as chances de abortamento precoce e tornam a concepção natural um desafio maior para mulheres com o diagnóstico.
Tratamentos para quem deseja engravidar
Embora a doença dificulte a concepção em diversos casos, existem tratamentos que podem ajudar mulheres com a condição a engravidar. A escolha da melhor abordagem depende de fatores como gravidade e idade da paciente.
Por isso, a abordagem de um especialista é essencial para definir o caminho mais adequado para cada caso, que será definido a partir de exames específicos e consultas de acompanhamento.
Tratamento clínico e controle da endometriose
Para mulheres que ainda não desejam engravidar imediatamente ou que apresentam sintomas intensos, o tratamento clínico pode ajudar a controlar a progressão da doença. O uso de medicamentos hormonais, como pílulas anticoncepcionais, progestágenos e análogos do GnRH, pode reduzir a inflamação e aliviar dores.
Cirurgia para remoção de focos de endometriose
Quando a endometriose compromete significativamente a fertilidade, a cirurgia pode ser recomendada para remover os focos da doença e restaurar a anatomia dos órgãos reprodutivos.
A videolaparoscopia é a técnica mais utilizada para esse fim. A retirada de aderências, endometriomas e lesões profundas pode melhorar as chances de gravidez natural ou otimizar os resultados dos tratamentos de reprodução assistida. No entanto, em casos mais severos, a FIV pode ser necessária mesmo após a cirurgia.
Inseminação artificial (IA)
Para mulheres com endometriose leve a moderada e sem comprometimento das trompas, a IA pode ser uma opção, desde que recomendada pelo médico especialista.
O procedimento consiste na indução da ovulação por meio de hormônios e na introdução dos espermatozoides diretamente no útero durante o período fértil, aumentando as chances de fecundação ao aproximar o espermatozoide do óvulo e reduzindo as barreiras impostas pela doença.
Fertilização in vitro (FIV)
A FIV é considerada o tratamento mais eficaz para mulheres com endometriose e dificuldades para engravidar. O procedimento envolve a estimulação ovariana para obtenção de óvulos, a fecundação em laboratório e a transferência do embrião diretamente para o útero.
Assim, é possível contornar diversos problemas da doença, como trompas obstruídas, inflamação pélvica e baixa reserva ovariana. Além disso, a FIV permite a seleção de embriões saudáveis, aumentando as chances de uma gestação bem-sucedida.
Congelamento de óvulos: uma alternativa para o futuro
Para mulheres diagnosticadas em idade reprodutiva, mas que ainda não têm planos imediatos de engravidar, o congelamento de óvulos é uma estratégia importante!
Como a doença pode comprometer a reserva ovariana ao longo dos anos, preservar os óvulos enquanto estão em melhor qualidade pode aumentar as chances de uma gravidez futura de sucesso por meio da FIV.
Leia também: Você sabia que a nutrição influencia na fertilidade feminina e favorece a gravidez?
Conte com a InVentre para realizar o seu sonho da maternidade
A endometriose pode tornar a jornada da maternidade mais desafiadora, mas isso não significa que a gestação seja impossível. Com um diagnóstico preciso e acompanhamento especializado, há diversas possibilidades e caminhos seguros para quem deseja engravidar.
Há anos, a InVentre tem ajudado mulheres a superar desafios reprodutivos, oferecendo tratamentos personalizados e tecnologia de ponta. Sabemos que cada caso é único e, por isso, um atendimento individualizado faz toda a diferença no sucesso do tratamento.
Se você enfrenta dificuldades para engravidar e suspeita que a endometriose possa estar envolvida, nossa equipe está pronta para acolher e orientar você com todo o cuidado necessário. Agende uma consulta e dê o primeiro passo para realizar o seu sonho!
Dúvidas frequentes sobre endometriose e infertilidade:
Tenho endometriose e quero engravidar. É possível?
Sim, algumas mulheres com endometriose conseguem engravidar sem intervenção médica, especialmente nos casos leves. No entanto, a doença pode dificultar a concepção ao comprometer a ovulação, a qualidade dos óvulos e a receptividade do útero.
Se a gestação não ocorrer após seis meses a um ano de tentativas, o ideal é buscar um especialista em reprodução assistida.
A endometriose sempre causa infertilidade?
Não! Embora a endometriose esteja presente em até 50% das mulheres com infertilidade, muitas ainda conseguem engravidar. A gravidade da doença e os órgãos afetados influenciam diretamente a fertilidade, por isso o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para preservar a saúde reprodutiva.
Quais são os principais sintomas da endometriose?
Os sintomas da endometriose podem variar de mulher para mulher, mas alguns sinais são mais comuns e podem indicar a presença da doença, como: cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais, sangramento menstrual intenso ou irregular e dificuldade para engravidar.
Qual é o melhor tratamento para engravidar com endometriose?
O tratamento ideal varia conforme a idade da paciente, o grau da doença e do resultado dos exames realizados. Para casos leves, a Inseminação Artificial pode ser uma opção. Já para mulheres com endometriose moderada ou severa, a Fertilização In Vitro (FIV) costuma apresentar as maiores taxas de sucesso.
O congelamento de óvulos é indicado para quem tem endometriose?
Sim! Como a endometriose pode comprometer a reserva ovariana ao longo do tempo, o é uma alternativa para mulheres que desejam preservar a fertilidade e postergar a gravidez. Quanto mais cedo o procedimento for realizado, maior será a qualidade dos óvulos e as chances de sucesso no futuro.
A endometriose pode afetar a gestação após a concepção?
Mulheres com endometriose têm maior risco de complicações gestacionais, como aborto espontâneo, parto prematuro e placenta prévia. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental para garantir uma gestação segura e saudável.


